Mistério entre as cortinas do palco

O novo romance de Jorge Sá Earp, “Essa cena assassina” (Ed. 7Letras), conta a história de João Marcos, fascinado por sua tia, Eleonora de Castro, artista dos palcos e da televisão, morta anos antes em circunstâncias nebulosas num hotel parisiense. A fim de recolher informações para uma biografia, o sobrinho viaja a Lisboa e inicia uma peregrinação por cafés e hotéis antigos deparando-se com atores vaidosos, poetas ambíguos e amores errantes numa atmosfera elegante e melancólica. Leiam a entrevista com Jorge Sá Earp.

A capa e a sinopse de “Essa cena assassina” dão ideia de um romance de mistério ou policial. Vamos encontrar elementos desses gêneros em meio a sua história?
R: O romance tem mesmo elementos do romance policial, embora não seja um. Não há um cadáver e uma fileira de suspeitos; o que há é o mistério de uma vida, a vida de Eleonora de Castro. E de sua morte. Poderia ser um romance policial, mas não é: tangencia o gênero sem se entregar a ele completamente.

O livro traz muitas referências culturais, como é comum em sua obra. Dessa vez, o foco é o teatro. Como é sua relação com o teatro?
R: Desde pequeno o teatro me fascina. A primeira peça que assisti foi “A menina e o vento” de Maria Clara Machado, no Tablado, levado pelo meu pai. Daí então não parei de frequentar o teatro. E uma lembrança que ficou marcada na minha memória foi quando entrei nos camarins da TV Rio depois de assistir ao programa Praza Onze. Fiquei fascinado com aquela atmosfera mágica.

Lilian Lemmertz, Maria Fernanda, Tereza Rachel. Divas do teatro brasileiro são lembradas e citadas. Alguma delas inspirou o personagem de Eleonora?
R: A verdadeira fonte de inspiração de Eleonora de Castro foi minha tia-avó, Maria de Sá Earp, cantora lírica. Eu quase não a procurava, mas um dia, quando estava de férias no Brasil, resolvi telefonar pra ela. Tivemos um almoço delicioso, inesquecível. Daí então passei a procurá-la mais. Ela sempre me encantou com a sua verve.

Este é o segundo romance após o livro de contos “O veranista”, que teve destaque na imprensa de livros. O que gosta mais de escrever, conto ou romance, e por quê?
R: Gosto de escrever nesses dois gêneros. Depende como a história me aparece. Às vezes acho que a história vai dar só num conto, mas ela acaba crescendo e ganha o tamanho de um romance. Mas nunca aconteceu o contrário: meus romances já nasceram se sabendo romances.

O lançamento de “Essa cena assassina”, dia 27 de agosto, quinta-feira, 19h, na livraria Argumento Leblon terá uma novidade, conte pra gente.
R: Para que o público presente entre no clima do teatro, convidei uma amiga atriz, a Glaucia Rodrigues, para ler um trecho do romance.

“Essa cena assassina” também será lançado em Brasília, cidade importante para você, pela sua carreira diplomática. Onde e quando será?
R: Morei muitos anos em Brasília, com interrupções para ir servir no exterior. No início não gostei muito da cidade, depois acabei me acostumando. É muito diferente do Rio. O lançamento em Brasília será no dia 15 de setembro, às 19 horas, na Livraria Platô.

Este site utiliza cookies para lhe oferecer uma melhor experiência de navegação. Ao navegar neste site, você concorda com o uso de cookies.
Mais Info