Mulheres em mosaico

É possível que o hábito da leitura forme um escritor? Se tomarmos como referência o livro de estreia de Francine Ramos, a resposta é sim. Autora do blog Livro & Café, com milhares de seguidores na web, há mais de uma década ela se dedica a ler, resenhar e comentar boas leituras. Agora chegou a vez da escritora. O volume de contos “Mosaico” (Ed. Penalux) reúne dez narrativas curtas que surpreendem pela voz firme, o estilo próprio e o inusitado dos temas e desfechos. Leiam a entrevista com a autora.

 

Você mantém há mais de 11 anos o blog Livro & Café no qual publica suas impressões sobre livros da literatura brasileira e universal. Conte pra gente um pouquinho da história desse empreendimento.

 

R: Tudo começou por eu sentir necessidade de falar sobre os livros que lia com alguém. Na época, eu tinha um blog em que eu escrevia de tudo um pouco: alguns contos, crônicas e poesias. Quando comecei a escrever sobre os livros, tive um retorno muito bacana e percebi que tinha em mãos uma semente. O blog foi crescendo com o passar do tempo. Hoje é um site e um canal no YouTube com muita coisa sobre literatura. Além das resenhas, tem listas literárias, artigos de opinião, dicas para escritores.

 

Ler tantos livros ajudou na sua formação como escritora?

 

R: Sem dúvidas. Eu sou muito curiosa e gosto de aprender. Então, todo livro que leio também é uma oportunidade para conhecer mais sobre estilo, linguagem e tudo mais que compõe a escrita.

 

Os contos de “Mosaico” foram escritos todos de uma vez ou foram nascendo aos poucos? Como foi esse processo?

 

R: Eu me organizei para escrever dez contos. Montei um cronograma e defini a temática de cada um deles partindo do poema “Apontamento”, de Fernando Pessoa (heterônimo Álvaro de Campos). Esse poema eu conheci na faculdade de Letras e ele nunca saiu da minha cabeça. Do primeiro até o último conto, foi um período de oito meses de escrita. E depois, claro, vieram as revisões, correções, leituras críticas de amigos e tudo mais.

 

Alguns contos do livro parecem interligados. Isso realmente acontece ou é impressão?

 

R: Sim, acontece. Durante o processo de escrita, isso foi fazendo muito sentido. É como se tudo acontecesse em um mesmo momento, o que ajuda a compor a ideia do título. Cada mulher é um “caquinho” e, juntas, elas formam um mosaico.

 

“Mosaico” é um livro feminista? Considera-se feminista?

 

R: Eu sou feminista e espero que minha voz feminista apareça em tudo que faço. Durante o processo de construir essas histórias eu procurei responder à pergunta: e se essas mulheres agissem de um jeito não esperado? Muito do meu feminismo vem daí, de repensar atitudes e padrões.

 

Além de escritora, você é professora do ensino fundamental e mantém o blog. Como se organiza para cumprir todas essas funções?

 

R: Durante a semana, eu sou mais professora. Nos finais de semana, férias e feriados, eu sou mais escritora e produtora de conteúdo para o Livro & Café. Em muitos momentos, tudo isso se mistura e tem dias que parece que não vai dar. Mas como são três trabalhos com as palavras – que tanto amo – em todos esses espaços me sinto muito realizada.

 

Quais são seus planos como escritora daqui em diante?

 

R: Seguir em frente, aprender mais e escrever um romance. Quando coloquei o ponto final no “Mosaico” tive uma sensação indescritível e quero essa sensação de novo. Não viverei mais sem escrever.

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