Os contos de “Ambiguidades” (Ed. Penalux) pulsam e germinam em torno de universos que a escritora Adriana Vieira Lomar vem trabalhando em outras narrativas, como no romance “Aldeia dos mortos” (Patuá, 2020). Os temas se delineiam aos poucos e configuram alguns eixos temáticos. Um deles é a relação amorosa entre casais. Leiam a entrevista com a autora.

 

“Aldeia dos mortos” (Ed. Patuá, 2019) teve ampla aceitação do público e boas críticas. Por que publicar um livro de contos em seguida?

 

R: Os dois livros foram concebidos e escritos na mesma época. Meu processo de criação normalmente vem em ciclos: escritos a partir de 2017 e finalizados em 2019, caminharam juntos o tempo inteiro, Há, inclusive, um conto, “Meus cabelos brancos”, que dialoga com “Aldeia dos Mortos”, e que surgiu antes do romance.

 

Existe uma linha narrativa ligando os contos de “Ambiguidades”? Caso sim, qual é?

 

R: Os contos interligam-se e a intenção foi formar uma espécie de livro de contos de formação. Da infância à maturidade, dos objetos e suas teias, os degraus da existência, o claro e o escuro, o sombrio e a luminosidade, os sentimentos do homem em meio aos extremos. Os personagens cruzam a infância, adolescência, a maturidade e a velhice.

 

Os contos de “Ambiguidades” são breves, não passam de duas páginas e meia. Como chegou a esse formato? Foi intencional?

 

R: Tendo a escrever de forma breve, talvez pelo feeling da poesia, que, tenho certeza, faz parte da minha vida desde a infância. É intuitivo. Depois vem a tessitura, o ponto que ora se fecha, ora se abre de forma intencional. Por vezes o conto nasce longo, como “Em terra, no mar”, e deixo como está porque, quem dita o ritmo e as laudas, é a história que se tem para contar.

 

Alguns contos do livro retomam o tema da maternidade, presente no romance “Aldeia dos mortos” (Ed. Patuá, 2019). Por que esse tema é tão presente em sua literatura?

 

R: Esse é um tema recorrente, não sei responder o motivo. Desconfio que tem relação com a mulher resignada em ser mãe, profissional e dona de casa – isso me incomoda. Tenho a sensação de que a mulher suporta tudo; precisa manter-se firme e não deixar que ninguém desconfie da sua fragilidade.

 

Está escrevendo no momento? Como será o próximo livro?

 

R: Escrevo todos os dias. No momento, estou revisando uma novela de suspense escrita por uma narradora infantil, e um romance que se passa no Nordeste, em 1860. Este último narra a trajetória de um imigrante português e seu amor por uma escrava alforriada – amor considerado impossível por conta do preconceito racial.

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