“No caminho da força” do escritor, músico e empresário Alê Balbo chega aos leitores em formato diferenciado e com lindas ilustrações aquareladas de Wilson Gandolpho. A obra narra a jornada de busca e autoconhecimento do protagonista Rudá, nascido nas montanhas do Peru, descendente dos antigos Incas. Ele percorre um longo caminho – interior e exterior – para descobrir o mistério de suas origens. O autor ainda compôs uma trilha sonora para o livro. A cada capítulo corresponde uma música criada com base em sound healing – técnica terapêutica que envolve frequências sonoras emitidas por tambores, gongos, taças tibetanas, flautas –, que pode ser acessada por meio de QRcodes nas páginas. Vale dizer que tanto o livro quanto as músicas são frutos de uma criatividade orgânica e sem qualquer uso de IA. Leiam a entrevista com Alê Balbo.
Qual foi a motivação para escrever seu livro?
R: Em 2020, durante um tratamento com Ayahuasca, diversas novas percepções foram despertadas, entre elas, o desejo de escrever um livro. Quis fazer algo diferente e consegui reunir minha música ao Sound Healing, criando uma ficção de fantasia com trilhas sonoras originais. Assim nasceu o Projeto O Elemental, um conto musical xamânico que une espiritualidade, aventura e magia.
Você é músico e empresário experiente. “No caminho da força” é sua estreia nas letras. Teve dificuldades em dominar a palavra escrita?
R: Sim. E ainda tenho algumas dificuldades, porém sinto que estou melhorando passo a passo. Conto com o apoio de uma professora de português e da consultoria da Oasys, que me ajudaram a concluir minha obra com correções, sem alterar a essência da narrativa ou das minhas ideias.
O livro já nasceu com o propósito de ser ilustrado? Ou a necessidade das imagens surgiu depois?
R: Logo no início conheci o ilustrador Wilson Gandolpho, cujas artes se conectaram de uma forma muito bacana na narrativa da minha história. A parceria e a amizade foram aumentando e me motivaram a ampliar o número de ilustrações na obra. Elas ficaram sensacionais.
“No caminho da força” fala da jornada espiritual de seu protagonista. Sua própria jornada transparece através dele?
R: Boa parte da narrativa do livro tem conexão com a minha própria jornada, em especial após o ano de 2020, quando passei por momentos bem ruins e iniciei a busca por algo que ainda não estava claro de mim: a espiritualidade. Há datas e acontecimentos especiais na obra que se conectam com diversos caminhos que percorri em busca de autoconhecimento, expansão da consciência e superação para, enfim, acreditar em mim mesmo.
As cenas de lutas são de um realismo impressionante e muito bem escritas. Como conseguiu?
R: Esse é um fato interessante. Confesso que colocar no papel as lutas foi um pouco complicado. As inspirações vieram de diversos filmes com combates corporais, uso de facas, machados e bastões. A partir dessas referências, construí mentalmente cada sequência. Para as batalhas com os animais de poder, pesquisei suas forças xamânicas para inserir na narrativa. Um desafio foi evitar repetições de palavras.
A trama se passa no Peru e traz elementos da cultura Inca. Como foi a pesquisa para o livro?
R: Em 2006, visitei o Peru e fiquei encantado com a civilização Inca. Na época, realizei diversas pesquisas para conhecer melhor esse poderoso império. Quando o livro tomou o rumo da ficção, de forma natural os incas se encaixaram na narrativa. Em 2025 decidi retornar ao país vivenciar de forma mais aprofundada a energia de Machu Picchu, da cidade de Cusco e dos museus dedicados aos povos pré-colombianos. Isso ajudou que eu fizesse algumas correções antes de finalizar minha obra. Voltar a Cusco foi essencial para que eu pudesse transmitir com mais autenticidade a realidade da minha história.
Sabemos que está escrevendo um novo livro. Será a continuação da história de Rudá?
R: Sim. Deixei várias lacunas de forma intencional para que o protagonista as resolva em um segundo livro e quem sabe, até em um terceiro.
As músicas que integram o livro são uma obra de arte à parte. Quais são as circunstâncias ideais para ouvi-las, o “modo de usar”?
R: O leitor é quem escolhe como deseja vivenciar a obra. Pode ouvir as trilhas criadas para cada capítulo enquanto lê ou de forma separada. Elas não acompanham exatamente o início e o fim de cada parte da narrativa, mas sim a sua essência. Uma sugestão é ler com fones desligados e ao final de cada capítulo, ouvir a trilha sonora de olhos fechados, permitindo uma imersão sensorial que conecta diferentes sentidos do corpo e da alma.

