Fantasia gótica em Praga

Em uma Praga sombria e atemporal, Klar Dämmerung é uma pianista que vive entre partituras e visões que a assombram desde a infância. Ao cruzar com Solís Vassili, um pintor envolto em mistério, ela se vê arrastada para um mundo onde as fronteiras entre o humano e o divino, as trevas e a luz, o real e a memória, se confundem. Essa é apenas uma pontinha da saga criada pela escritora Marjorry Alves, uma fantasia gótica que honra esse gênero literário. Para escrever “O claro e o crepúsculo” (Vinca Literária), ela estudou os textos sagrados de diversas correntes religiosas e amarrou tudo em uma história impregnada de lirismo, simbolismo e desejo, que explora nuances do amor, da perda e da transcendência. Leiam a entrevista com a autora.

“O claro e o crepúsculo” se passa em Praga (República Tcheca), uma cidade tão linda quanto misteriosa. Por que Praga?
R: Sempre tive vontade de conhecer Praga. Há duas cidades que eu sinto que tenho uma conexão astral, que são São Petersburgo e Praga. São Petersburgo eu tive a oportunidade de conhecer enquanto trabalhava em navios de cruzeiros. Praga, ainda não. Mas conhecerei logo.

Você é uma estudiosa das religiões e muito do que sabe está em forma de ficção no livro. De onde vem esse interesse?
R: Acho que pela total falta de conexão com uma religião específica. Me considero universalista e gosto de estudar vários tipos de religiões, mas não tenho nenhuma, não sigo nenhuma e não tenho vontade de me conectar a nenhuma. Gosto apenas de obter de cada uma delas aquilo que faz sentido para mim.

O romance tem uma trama principal e várias subtramas que se bifurcam e se reúnem, para novamente se bifurcar em uma estrutura verdadeiramente engenhosa. Como montou a arquitetura dessa história?
R: Eu tenho o passo a passo descrito de forma cinematográfica em minha cabeça. Quando escrevo, o desenrolar vai apenas surgindo. Não costumo ter nada preparado por sequências ou por tópicos. As imagens primeiramente surgem na minha cabeça. Eu vou alimentando-as e colocando-as no papel, e depois faço as correções necessárias. Acho que sou como o Zeca Pagodinho da escrita: “deixo a escrita me levar, escrita leva eu”, rsrsrs.

Sua prosa é caudalosa e sua voz autoral surge luminosa a firme desde o início. Como A escritora Marjorry Alves se criou? Quais livros e autores te marcaram?
R: Eu sempre gostei de ler. Diferentemente de meus pais. No entanto, eles montaram uma biblioteca para mim antes de eu nascer, porque eles queriam que eu fosse leitora. Muitos livros me marcaram, mas lembro muito bem de “Romeu e Julieta”, “Crime e castigo”, “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Orgulho e preconceito” e “Entrevista com o vampiro”, como alguns dos que mais me marcaram até hoje.

A fantasia é um gênero literário que se desgastou, mas retornou com força total em novos subgêneros como a romantasia, fantasia gótica, dark academy, entre outros. Pretende continuar a escrever nesse estilo? Ou tem vontade de experimentar outros gêneros?
R: Eu gosto mesmo de escrever romances e comfort books. Sinto a escrita fluir mais fácil nesses gêneros. “O claro e o crepúsculo” é um livro especial para mim, ele é mais denso e exigiu mais de mim, espiritualmente e mentalmente, e é por isso que eu tenho um carinho especial por ele. Foi um livro desafiador de se escrever, não vou negar.

“O claro e o crepúsculo” levou muitos anos para ficar pronto. Conte um pouco sobre o processo de escrita do romance.
R: Foi um livro que ficou pronto no tempo certo. Acho que tive muita “ajuda espiritual” ao escrevê-lo e sinto isso até hoje. É um livro que exigiu preparação mental e espiritual de minha parte.

Agora que o livro foi publicado, quais são os próximos passos?
R: Conseguir publicar a trilogia toda, enquanto publico outros livros de romance no meio tempo. É tudo o que quero e espero.

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