25 anos da Ibis Libris Editora

Thereza Christina Rocque da Motta

“Faz o meu livro? Eu não sei fazer livros, você sabe”. A partir deste pedido, uma poeta e advogada, que já como atuava de modo informal como editora, iniciou sua carreira editorial. A trajetória culmina agora, 25 anos depois, com uma festa no dia 12 de agosto, terça-feira, a partir das 18h, na Blooks Livraria (Botafogo/RJ). Na ocasião, haverá o lançamento da antologia “Poemas cariocas 2025”, da Ibis Libris Editora, fundada por Thereza Christina Rocque da Motta, em 2000. É o Jubileu de Prata de uma casa editorial que se notabilizou por apostar na poesia. “Poesia vende. Mas só vende, se estiver à venda”, garante a CEO. O volume poético reúne versos de Antonio Carlos Secchin, Adriano Espínola, Claudia Roquette-Pinto, Ramon Nunes Mello, Paulo Fraga-Queiroz, entre outros – 110 ao todo –, numa mistura de nomes consagrados e outros menos conhecidos, que é uma das marcas desta generosa editora. Leiam a entrevista com Thereza.

Ibis Libris Editora nasceu a partir do pedido de um poeta. Como foi essa história?

R: Em março de 1999, passei a frequentar os saraus de poesia no Rio. Em 13 de agosto, conheci Ricardo Ruiz, que, em dezembro, me pediu para publicar seu livro. Em março de 2000, escolhi o nome Ibis Libris. Em 18 de agosto, lançamos “Poesia Profana”, de Ruiz, no Museu da República. Pensei ter lançado somente um livro, algo pontual, mas a editora veio junto. Depois dele, vieram outros poetas. Em 2002, abri oficialmente a Ibis Libris Editora.

25 anos é bastante tempo para uma empresa em um país onde vemos negócios abrir e fechar as portas bem rápido. Qual é o segredo dessa longevidade?

R: Primeiro, amar o que se faz. Se não fosse a paixão pelos livros, eu já teria desistido. Mas nem tudo são flores. Há atrasos, erros, falhas de comunicação, vaidades, ressentimentos. Porém tudo é contornável, se tivermos amor pelo que fazemos. O amor nos leva à frente e me fez superar todos os problemas que já tive.

Todo mundo diz que “poesia não vende”. A Ibis Libris é uma prova viva do contrário. Como se faz para vender poesia?

R: A poesia tem público certo e underground. Rui Campos, dono da Livraria Travessa, disse numa entrevista: “A estante de poesia é o termômetro da livraria”. É a estante comum a todos. Para vender poesia, basta que o livro exista. Poesia tem um público fiel e exigente. Quem acha que poesia não vende é porque não vende poesia. Eu vendo poesia há 45 anos. Meus livros de poesia se esgotam. Poesia só vende, se estiver à venda.

As antologias da Ibis Libris são retratos de gerações de poetas brasileiros. Encara como missão prospectar, reunir, editar e publicar poemas de artistas, de modo geral, não tão valorizados pela maioria da população?

R: Para se valorizar um poeta, ele precisa ser lido. “Poemas cariocas” de 2000 trouxe os poetas dos eventos que aconteciam no Rio. Como editora, sou meio repórter. Publico o que está acontecendo. Pego o poema em flagrante, lido pela primeira vez, ou de um livro esgotado. É um mercado secreto. Só conhece poesia quem lê. É preciso torná-la visível. Tem que ser publicada.

Houve algum momento difícil em que pensou em desistir? Como superou?

R: Vivi vários momentos difíceis, e todos eu consegui superar. Não me pergunte como. Mas a fórmula era “não desistir”. Está na definição de sonho: é aquele que você faz tudo para conseguir. Por isso, sonhos se tornam realidade. Se você desistir, não era sonho: era ilusão. Já desisti de várias coisas, mas a única que eu nunca desisti foi da poesia (e, com ela, da editora). A editora só existe, porque eu amo a poesia. Ela nunca desistiu de mim.

O que considera “boa poesia”?

R: Um bom poema é aquele que você gosta. Não é o melhor de todos. Mas o que lhe traz uma mensagem que você precisava ler. Não precisa ser Drummond ou Bandeira, mas precisa ser perfeito para o seu momento. É o que você gostaria de ter escrito. É o que diz por você o que não conseguiu elaborar em palavras. É a tradução do seu sentimento, como se você o tivesse escrito e abre uma janela para o seu pensamento poder voar.

O que recomenda aos jovens poetas que desejam escrever e publicar boa poesia?

R: Leiam tudo que puderem, e sejam sinceros. Não copiem; sejam autênticos. Nem tudo que já foi escrito substitui o que pode ser dito de novo. Se a sua necessidade é escrever, então, escreva. Mas preste atenção. Saiba quando não é bom. Nem tudo que se escreve é perfeito, mas pode ser aperfeiçoado. Aprenda a ser seu próprio crítico. Sem exageros. Um dia, alguém dirá que você é poeta.

Qual é maneira de chegar à Ibis Libris e ter sua obra poética considerada para publicação?

R: Ibis Libris está aberta para receber originais de poesia e outros gêneros literários por meio do email no site http://ibislibriseditora.com.br/. Faço a leitura, preparação, revisão e edição dos textos, para que o livro saia o melhor possível. Escolhemos a capa, e até o título. Um livro não deve ser muito longo, para não cansar o leitor. Se ele gostar, vai ficar esperando o próximo livro. Mas, se for, não tem problema. Também vende.

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