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Godofredo de Oliveira Neto: segunda edição na França

15 de setembro de 2014

Um lugar chamado Petaluma

Nove contos amarrados pela ideia da identidade, mas também da perda, da busca, da fragmentação do mundo e de si. É como Tiago Velasco constrói Petaluma (ed. Oito e meio), seu segundo livro de contos com lançamento nesta quarta-feira, 17 de setembro, às 19h, no Espaço da editora Oito e meio, no Flamengo. Doutorando em Letras na PUC-Rio e autor de outros dois livros, um de contos e outro de não ficção, Velasco parte da sua observação do outro e de si mesmo para criar suas histórias – como conta neste bate-papo com a Oasys Cultural, em que fala também de seus trabalhos anteriores, inquietações e influências. “Talvez, escrever Petaluma seja uma forma de tentar construir algum ponto de fixação para minha identidade, mesmo sabendo que é apenas uma busca”, diz. Confira na íntegra:

 

Petaluma fala das inquietações do homem contemporâneo na busca de um lugar para si no mundo. Qual foi sua principal matéria-prima para escrevê-lo?

A sensação de que há uma crise de identidade no mundo contemporâneo é algo muito forte em muita gente que conheço. Para mim, não é diferente. As pessoas acumulam diferentes profissões e trabalhos, sempre pulando de projeto em projeto, com dificuldades de planejar a própria vida; geograficamente, as pessoas se deslocam cada vez mais, se fixando menos em seus lugares de origem; culturalmente, somos atravessados o tempo todo por músicas africanas, cinema iraniano, vídeos americanos, ou seja, uma profusão gigantesca e cada vez mais fragmentada. Se por um lado isso gera possibilidades enormes e uma sensação de liberdade grande, por outro, também significa maior insegurança e imprevisibilidade sobre a vida. Talvez, escrever Petaluma seja uma forma de tentar construir algum ponto de fixação para minha identidade, mesmo sabendo que esse ponto não ficará fixo por muito tempo, é apenas uma busca.

 

Você publicou seu primeiro livro de contos, Prazer da carne, em 2008. O que amadureceu no escritor desde então?

Muita coisa mudou. No primeiro livro havia uma iconoclastia juvenil, um cinismo que hoje já não aparece tanto. Os contos atuais são mais reflexivos, eu sabia o que queria fazer desde o início. Petaluma é um livro que tem uma ideia central que permeia todos os contos, o que não havia em Prazer da carne. Certamente hoje os textos estão mais maduros.

 

Quais são suas referências literárias?

Há livros de que gosto muito, mas não sei se são referências. Crime e Castigo (Dostoiévski), Metamorfose (Kafka), 1984 (George Orwell), O estrangeiro (Albert Camus), por exemplo. E leio bastante autores brasileiros contemporâneos. Gosto especialmente do Diário da Queda, do Michel Laub, e do O filho eterno, do Cristovão Tezza.

 

Além de escritor, você faz doutorado em Letras na PUC-Rio, fez mestrado em Comunicação na UFRJ e publicou um ensaio de não ficção, Novas dimensões da cultura pop. Como essas outras experiências complementam sua literatura?

Elas se atravessam a todo momento. Impossível dissociá-las. Minhas leituras acadêmicas me dão um repertório reflexivo que vai servir como base para que eu escreva minhas histórias. As minhas inquietações intelectuais certamente aparecem, às vezes mais claramente do que outras, nos contos que escrevo.

 

 

Por Carolina Drago