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Neagle arrasando na pré-venda

10 de outubro de 2014

Um escritor diferente

Um escritor que não frequenta feiras de livros, não participa de prêmios literários, não se encaixa em nenhum subgrupo da literatura brasileira contemporânea embora seja reconhecido como uma das vozes mais originais e geniais da mesma. Assim é Marcelo Mirisola, nascido em Santos (SP), atualmente residente no Rio de Janeiro. O novo romance, Hosana na sarjeta (Editora 34), lançado na Bienal de São Paulo 2014, tem como protagonista MM, escritor de romances como Charque (do próprio Mirisola, Barcarola, 2011) que se relaciona com duas mulheres, Ariela e Paulinha Denise e passeia por lugares inusitados, metendo-se em uma série de confusões. Nesta entrevista, uma pitada da verve de Mirisola.

 

A trama do novo romance é vertiginosa, passando por lugares inusitados: a extinta boate Kilt, em São Paulo, um garimpo clandestino na Serra da Canastra, em Minas Gerais, uma cobertura no Rio de Janeiro, entre outros. Como você concebeu Hosana na sarjeta?

Quando demoliram o castelinho Viking (boate Kilt, na esquina da Nestor Pestana) do meu sonho de Cinderelo, aquilo foi como uma extração de siso sem anestesia. Fiquei banguelo de alma. Até que chegou o carnaval, eu me tranquei em casa e só saí de lá na Páscoa. Ressurreição! Hosana nas alturas! Depois Hosana poluída e acabou na sarjeta.

 

Você escreve em primeira pessoa e faz referência a livros seus, como se fossem escritos pelo
protagonista. Quem é Marcelo Mirisola e quem é MM?

Eu podia fazer um trocadilho, uma piadinha besta. Mas como não estou roubando nem matando, e uma vez que ganho minha vida honestamente, posso dizer que é tudo literatura.

 

Você escreveu crônicas durante muitos anos no portal Congresso em Foco e agora no Yahoo. Não tem e nunca teve papas na língua e por causa disso ganhou inimigos. Como lida com isso?

Essa conversa de papas é papo furado. O Brasil é a terra do não-me-toques, tudo hipocrisia: subdesenvolvimento moral, alma atrofiada. De gente mesquinha que prefere negociar nos bastidores a enfrentar a encrenca de peito aberto, não existem ‘inimigos’, existe a conveniência de ratos que fazem política de ratos. Temos uma índole rastaquera. O escritor no Brasil não é muito diferente de um despachante, verme que vive de pequenos favores; tão previsível quanto qualquer vereadorzinho corrupto de Taboão da Serra. O resultado é essa literatura lenta, tímida, bobinha – e agora fofa. Não é a toa que o Jabuti é um prêmio festejadíssimo em nossa plagas.

 

 

Por Valéria Martins