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O poeta passarinho

13 de fevereiro de 2017

O poeta passarinho

Poetas e médicos compartilham o amor pela vida. Não por acaso, os poemas de Se o vento diz (Imprimatur), primeiro livro do escritor e neurocirurgião José Fernando Guedes, comunicam admiração pela Natureza, lembranças de família, reflexões sobre o tempo, amizade, tecnologia, entre outros. Fã de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gullar, Manoel de Barros, o autor acredita que a poesia é crucial em um mundo de profunda solidão.

 

A capa do seu livro Se o vento diz é um beija-flor e muitos poemas versam sobre aves. Qual é a sua relação com os pássaros?

 

Pássaros encarnam o paradoxo da liberdade total e do completo aprisionamento. Como ocorre conosco. No entanto mesmo presos: cantam. Tenho vários deles vivendo em mim.

 

Junto com o interesse pela Natureza, os seus poemas tratam de temas como amor, família, tempo, amizade, tecnologia etc. Como o seu olhar de poeta filtra as influências que recebe do cotidiano para escrever?

 

Procuro focar no ínfimo, no menor, no relegado. O mundo natural nos envia múltiplos sinais que não detectamos. Da mesma forma no mundo das nossas relações. Na sociedade tecnológica/utilitária, tanto o mundo natural quanto as pessoas são apenas para serem “utilizados”. Minha poesia procura bradar contra isso. Tentando dar voz ao que sentimos e à esperança na qual cremos.

 

Você acredita que atualmente a poesia tem menos espaço no cotidiano das pessoas? Se sim, como a poesia pode reconquistar o lugar dela entre os leitores?

 

Sim. Há que se conhecer a poesia para que se possa gostar dela. A poesia é crucial no mundo de hoje de profunda solidão tão povoada. Para que o que existe de mais vital nos seres humanos não seja deletado.

 

Além de poeta, você é neurocirurgião. Quais semelhanças consegue elencar entre os dois ofícios?

 

O neurocirurgião é um e o poeta é outro. Não há conflito entre eles.

 

Quais poetas brasileiros foram importantes em sua formação e por quê?

 

Drummond, João Cabral, Gullar, Manoel de Barros. E um sueco chamado Tomas Tranströmer. Todos eles, de modos diferentes, em ambientes diferentes, sob diversas influências, cultuaram a palavra viva, com uma honestidade lírica completa, apaixonada ao ser humano, isto é, ao existir como humano.

 

Quais são seus planos para 2017?

 

Em 2017 se Deus quiser saem o segundo livro de poesias e o primeiro romance.

 

 

- José Fontenele