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“Laminário” na ANE em Brasília

4 de maio de 2016

As várias vozes de Godofredo

Uma atriz octogenária transmite sua experiência a um recém-chegado aos palcos. A relação estreita-se, beirando o erotismo, enquanto ambos desenvolvem textos dramatúrgicos baseados em suas vidas. Romance insinuoso e cheio de significados, O grito, de Godofredo de Oliveira Neto, chegou às livrarias em abril de 2016, logo após a participação do autor na Printemps Littéraire Brésilien, evento dedicado a lusofonia na Universidade Paris-Sorbonne. Nesta entrevista, Godofredo comenta o lançamento e a experiência de ter seus livros publicados na França.

 

A narrativa de O Grito tem uma interface com o teatro. Como se dá essa interseção e por que o teatro?

 

Fico com Artaud, para quem o teatro se dirige primeiro aos sentidos antes de abordar o espírito. O teatro, pela qualidade poli-informacional, é a arte que mais consegue abraçar e apreender o século XXI. Daí juntar literatura e teatro.

 

O erotismo permeia toda a sua literatura. Nesse novo livro, a protagonista, idosa, demonstra desejo por seu jovem amigo. Quais obras influenciaram e irrigaram essa vertente do erotismo em seu fazer literário?

 

Eugênia ama uma pessoa, pouco importa a idade, o gênero sexual, a cor ou a raça. Penso que esse é o tom do amor no século XXI.

 

Outra marca em seu estilo é a variedade de vozes narrativas. Em A ficcionista, a história é contada através de uma entrevista gravada. Em Ilusão e mentira, um galo fala aos leitores. Em O grito, não fica claro, de início, a quem a protagonista se dirige. Essa escolha do narrador é algo pensado ou nasce por acaso? O que a literatura ganha com isso?

 

Acho que o depoimento confessional marca também o século XXI. A autoficção é uma realidade nas livrarias, quer se goste ou não. Não quis construir esse gênero, que me incomoda um pouco e me deixa desconfortável. Tentei, aqui também, uma conciliação estilística.

 

Você acaba de voltar de Paris, onde lançou mais um livro, Amours Exilés, e participou da Printemps Litteraire, o evento de lusofonia Primavera Literária, na Sorbonne. Como foi a experiência? Como está sendo a repercussão da sua obra no exterior?

 

O Printemps Littéraire é um evento que se transforma aos poucos em movimento literário, como o seu organizador, Leonardo Tonus, afirmou. A repercussão do Menino oculto e do Amores exilados em Paris têm sido extraordinária. Os jornais Le Monde, Le Figaro e Libération deram uma super cobertura. Os livreiros da França, que criaram o prêmio A escolha dos livreiros, premiaram a tradução em francês do Menino oculto, incluído entre os romances mais importantes de 2015 publicados na França.

 

Quais são suas leituras atuais? Tem algum outro projeto em andamento?

 

Leio atualmente os clássicos de Machado e de Alencar por motivos profissionais e me esbaldo com a literatura brasileira contemporânea, de que gosto muito. Estou trabalhando num novo romance, mas prefiro ainda guardar ainda silêncio.

 

Valéria Martins